Meio Ambiente | 07/02/2018 - 11:50

Lixão de Brasília, o segundo maior a céu aberto do mundo, é fechado

Foto: Dênio Simões/Agência Brasília

Autor: Da Redação / Com informações Agência Brasil


O segundo maior lixão do mundo localizado em uma área de 201 hectares, próximo ao Parque Nacional de Brasília foi fechado no final de janeiro passado. O lixão da Estrutural integrava a lista da Associação Internacional de Resíduos Sólidos como um dos 50 maiores depósitos de lixo a céu aberto do mundo, ficando atrás apenas do lixão de Jacarta, na Indonésia.

Apenas em 2016, 830 mil toneladas de lixo foram aterrados no local. Para se ter uma ideia, esse peso equivale a aproximadamente 720 estátuas do Cristo Redentor. Os dados são do Serviço de Limpeza Urbana do DF (SLU).

O depósito de lixo foi criado sem planejamento, sem que o solo fosse impermeabilizado. Ao longo do tempo tem provocado riscos ao meio ambiente e à saúde da população do Distrito Federal.

A cidade que abriga o lixão é originada de uma invasão, com pessoas atraídas pelo lixão em busca de sobrevivência. Após várias tentativas fracassadas de retirada das ocupações ilegais, o local foi urbanizado e transformado em região administrativa. Chamada de Estrutural, atualmente abriga mais de 35 mil pessoas.

O encerramento das atividades do lixão estava previsto para o segundo semestre do ano passado e foi adiado após pedidos dos catadores que atuavam no depósito de lixo.

Para absorver o lixo produzido pela população do Distrito Federal, o governo criou o Aterro Sanitário de Brasília, em uma área entre Samambaia e Ceilândia, outras duas regiões administrativas do DF. Projetada para comportar 8,13 milhões de toneladas de lixo, a obra é dividida em quatro etapas e ainda não foi concluída.

Apesar do fechamento, o lixão continuará recebendo resíduos da construção civil. Uma área será criada especificamente para receber esse tipo de material, mas ainda não saiu do papel. O governo do DF está em processo licitatório para contratação do espaço.

Com o fechamento do depósito de lixo, qualquer caminhão flagrado jogando lixo no local será apreendido.

Catadores

Para acolher as 2 mil pessoas que atuavam na triagem dos materiais, o governo tem buscado realocar esses trabalhadores em cooperativas e associações contratadas pelo GDF para prestar os serviços de recuperação de resíduos sólidos. Os catadores, que antes atuavam por conta própria, receberão um valor por tonelada de resíduos separados nos galpões de triagem. Eles receberão, por seis meses, uma ajuda financeira de R$ 360,75.

Os trabalhadores, no entanto, criticaram a mudança e alegam a falta de pagamento do valor mensal prometido pelo governo do Distrito Federal. Segundo o representante do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis, Ronei Alves da Silva, os trabalhadores já afastados do lixão têm tido problemas no recebimento da ajuda de custo do governo. Além disso, reivindicam uma indenização de RS 14,9 mil por trabalhador.

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